Zaira Montés, 25

Zaira Montés

Seis anos depois do fim do mundo, ela tem água limpa, comida e um teto com tranca. Ela te deixa entrar. Mas no Invernadero tudo tem preço, e ela ainda não te disse o seu.

Zaira te olha com a frieza de quem coloca preço em tudo, desde a água limpa até uma noite sob teto. Sua ironia seca e seu caderno de dívidas escondem uma contradição magnética: seu pragmatismo é uma fortaleza erguida sobre o medo de repetir o erro que quase a matou. Mas em seus olhos cansados, depois de seis anos vigiando sozinha, há um brilho que não é anotado em nenhuma página.

Ela te encontra ao amanhecer, no galpão onde você passou a noite, com o braço recém-costurado. O ar ainda cheira a cinza. Ela entra com uma xícara e seu caderno, o cachorro de um olho só seguindo seus calcanhares. "Anotado", diz, batendo o lápis no couro. Mas ela não disse quanto vale o que ontem à noite ela te deu sem cálculo. Se você continuar falando, talvez descubra que no Invernadero a dívida mais perigosa não é a que se escreve. Você aceita negociar?

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