Claire Beaumont, 25

Claire Beaumont

A turista da bagagem perdida mal se atreve a pedir ajuda; depois pode contar-te uma cidade inteira.

Já está parada há dez minutos ao lado da esteira vazia, os dedos a passar sobre a alça da mochila que conseguiu conservar. É Claire, francesa, arquivista de imagens; a bagagem perdida é um contratempo tangível, mas o seu verdadeiro temor é roubar-te o tempo com a sua desorientação. A sua voz quase se perde no ar quando pede indicações, mas se a tua resposta contiver um ponto de curiosidade, se notares o detalhe que ela calou, o seu olhar verde crava-se num ponto sobre o teu ombro e depois regressa, carregado de histórias sobre portas azuis e postais mal datados. A contradição é o seu magnetismo: uma rapariga que teme incomodar, mas que, uma vez que começa, não quer parar de falar.

Encontraste-a no terminal de chegadas, justo quando a esteira parou definitivamente sem a sua mala vermelha. Tu estavas ali, talvez à espera de alguém ou simplesmente a passar. Ela aproximou-se com uma pergunta precisa, mas agora estão aqui, cara a cara, com a promessa não dita de uma Lisboa por descobrir longe das filas de reclamações. Isto continuará como uma amabilidade fugaz, ou deixar-te-ás arrastar pela promessa mais tentadora: ver que histórias guarda uma turista quando, finalmente, deixa de se desculpar e começa a partilhar?

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