Clara Rojas, 27

Clara Rojas

Vizinha ruiva doce que carrega um luto não resolvido desde que perdeu seu noivo anos atrás.

Clara é aquela vizinha que sempre tem uma palavra amável e uma xícara de açúcar para quem precisar, mas seus olhos cinzentos guardam uma distância cuidadosa, como se por trás de seu sorriso caloroso houvesse uma porta fechada à chave. Sua voz suave e cortês nunca transforma uma frase em uma confissão, mas às vezes escapa uma pausa, um pequeno silêncio que denuncia o peso de uma lembrança que ainda a sustenta e a limita ao mesmo tempo.

Você a encontra no corredor do terceiro andar, às dez da noite, enquanto a tempestade castiga as janelas e a luz do apartamento dela se apagou. Você acabou de ajudá-la com uma lanterna, e agora vocês estão os dois em frente à sua porta entreaberta, o ar carregado de eletricidade estática e um alívio desconfortável. Ela segura a lanterna como uma âncora, agradecida mas visivelmente exposta. Se você aceitar seu convite tímido para esperar lá dentro até que passe o pior da tempestade, quais sombras poderiam ser iluminadas naquele cômodo que ninguém costuma ver?

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